Mas como o mundo não pára, existem diversos assuntos que podem ser discutidos e é isso que vos vou mostrar hoje. Neste último dia de Julho, irei trazer-vos alguns temas que andam na boca das pessoas...
Como podem ter percebido através do título (seus burros se não perceberam), eu preguei o mesmo idealismo que Anders Breivik, mas duma forma um pouco diferente: Não matei dezenas de pessoas para o fazer...
Mas antes de se falar sobre o que ele fez, vamos ver como ele viveu...
Anders era filho de uma enfermeira e de um economista civil (tradução literal da expressão norueguesa Siviløkonom) que trabalhou como diplomata na Embaixada Norueguesa em Londres e Paris. Ainda muito novo, com 1 ano de idade, vê os seus pais divorciarem-se e, mais tarde, o pai a casar-se (e divorciar-se novamente) com uma diplomata e a mãe a casar-se com um oficial do exército norueguês.
Resumindo, a vida dele era uma completa rebaldaria, com casamentos e divórcios a ocorrerem enquanto era educado por um oficial do exército, ou seja, de uma forma extremamente rígida. Isto tudo e o facto de ter um pai que o tratava com indiferença e talvez repugnância, pois após os atentados, entrevistaram o pai e este afirmou que Anders deveria ter enfiado um tiro na cabeça depois dos atentados. Um pai é pai para sempre, mesmo que eu mate uma cambada de pessoas, tenho a certeza que os meus pais não quereriam a minha morte. Para o pai dele afirmar tal coisa, entre outras afirmações do mesmo estilo, é porque antes já não gostava muito do filho. Mas pronto, isto tudo junto pode ter danificado um pouco a sua mente. Atenção, não estou a tentar justificar os seus actos, estou a mostrar o que originou o homem que os cometeu...
Passemos ao outro lado dele, o nacionalista, ou antes ultranacionalista. Antes de mais, vamos perceber o que é Nacionalismo. A minha percepção (não muito profissional, razoavelmente estudada e espero estar correcta) é de que o Nacionalismo apregoa que um país deveria ser representado por somente uma nacionalidade, uma língua e uma cultura. Apregoa que uma nação deveria ser governada por um grupo de pessoas todas elas da mesma cultura, a respectiva a essa nação. Fazendo Portugal um exemplo, o Governo não deveria ter ninguém que não fosse português por naturalidade e educação, isto é, nasceu e cresceu em Portugal e foi educado segundo os princípios portugueses, seguindo a cultura portuguesa. Todas as empresas portuguesas seriam geridas por portugueses e financiadas por portugueses, tendo sempre mão do Governo. Dávamos prioridade ao produto português, comercializando somente produtos estrangeiros se Portugal não pudesse produzir esse produto, como o petróleo, e por aí adiante. No entanto, o Nacionalismo não se liga directamente à Xenofobia. É verdade que a educação e o quotidiano de um país nacionalista deveria reger-se por uma única cultura, mas não impede a entrada de estrangeiros nesse país nem impede que esses mesmos possam manifestar a sua cultura. O Nacionalismo afirma que os factores que fazem mover o país, Educação, Saúde, Governo, Empresas, etc. tenham que ser geridas, financiadas e representadas por cidadãos nascidos e criados por esse País. E na sua base, a ideologia nacionalista não é errada, pois dá uma extrema importância à identidade nacional e ao seu produto, algo que falta em algumas nações europeias, entre elas Portugal. Pouca gente associa tal facto, mas Mohandas Gandhi e Jean-Jacques Rousseau eram nacionalistas.
O que tem deitado o Nacionalismo por terra é aparecerem pessoas que deturpam os principios nacionalistas, de forma a tornar-se um nacionalismo xenófobo, racista e assassinos em massa , como Nazismo do Hitler, Facismo do Mussolini e Salazar e os actos de Anders Breivik. São estas as pessoas que deturpam um ideologia que não é perfeita, mas também não está errada.
Anders Breivik escreveu um manifesto, Kinghts Templar 2083. Um resumo dele pode ser visto no seguinte vídeo.
Aqui ele prega que existe uma cultura marxista em toda a Europa que impõe o multiculturismo na educação e nos media europeus, destruindo a identidade europeia e a identidade própria de cada país europeu. Culpa os islâmicos que vivem na Europa, que cada vez são mais que às mães e que vão dominar a Europa. Ao mesmo tempo, glorifica entidades passadas, dos tempos da Idade Média, que combatiam os islâmicos e os expulsava-os da Europa, desde Ricardo Coração de Leão até Vlad, O Empalador (nome fofinho para um herói). Por acaso, não mencionou D. Afonso Henriques no vídeo, não seu se no manifesto completo tal menção apareceu (porra, o manifesto é maior que o Seeley - Anatomia e Fisiologia. Se eu não li o Seeley todo para o meu benefício estudantil, vou ler o manifesto todo para quê?). Opah, até aqui tudo bem, tudo bonito, é uma opinião, um bocado esquisita e parva, mas usando o nacionalismo como alicerce, portanto não devemos descartar nem troçar.
O problema é que o manifesto dele não acaba aqui. Ele depois começa a incitar para um começar duma guerra, a uma escala equivalente das Cruzadas, para se expulsar os Islâmicos da Europa. Novamente, apesar de já começar a descarrilar, continua a ser uma opinião vaga, do mesmo estilo "Opah eu não devia ir a tantas festas em vez de estudar".
A questão é quando ele chega às vias de facto, onde ele começa por horrorizar actos ao acaso, como mostrar um balanço de pessoas cristãs mortas às mãos de islâmicos na Europa (quando podem ser actos ao acaso, como por exemplo assaltos feitos por uma pessoa a outra, sem qualquer intenção ideológica, simplesmente o assaltado por acaso era cristão e o assaltante era islâmico), incitar a morte dos supostos grupos marxistas (entre eles, governos, instituições governamentais, instituições de comunicação social, etc.) e erradicar todos os islâmicos da Europa. Não é expulsar os marxistas e islâmicos, é sim matá-los a todos. Ele associa caras aos grupos marxistas, desde Durão Barroso ao Partido Trabalhista Norueguês, demonstra formas de combate e assassínio e por aí adiante...
No final de tudo, após a destruição dos marxistas e islâmicos, abençoa um novo começo, onde a Europa é governada por governos nacionalistas. E isto é o que destrói um possível fé sobre o Nacionalismo. São estas as pessoas que deturpam o Nacionalismo, como o mesmo acontece com outras ideologias, e que impossibilitam o surgimento de um partido nacionalista que se rege por princípios verdadeiros e não deturpados.
Em Portugal temos o Partido Nacional Renovador, conhecido por PNR e pelos seus vídeos de campanha que parecem sketches saídos da cabeça do Emplastro. Atenção, o PNR até pode ser um partido nacionalista que se rege por príncipios verdadeiros, mas aparece representado sempre por pessoas assim:
O que me preocupa e mete mesmo algum medo, é o facto que Breivik, no seu manifesto, admitir que ele não é o único, que é apoiado por pessoas que pensam da mesma maneira e por evocar a possibilidade de aparecerem mais atentados como estes. Porquê que me preocupa, perguntam vocês? Bem, imaginem uma pessoa com o pensamento igual ao da barba comprida e pontiaguda do vídeo acima (os pedófilos são estrume, os homossexuais são estrume, etc.) a ler o manifesto do Breivik (ou a ver o vídeo que vos mostrei no ínicio), que explica tintin por tintin como e onde matar as pessoas que devem ser mortas e depois digam-me se não há algum motivo para preocupação...
Espero que tenham gostado. Se não gostaram, Ctrl+W serve para alguma coisa...
Saudações,
Nando Pina
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