À medida que ia vendo o episódio, fui reparando em certas semelhanças entre essa época e a época em que vivemos nas últimas 2 décadas e meia (mas nós somos muito melhores agora, pois nós fizemos as mesmas asneiras mas demorámos 2 décadas a fazer o que nessa altura foram precisos perto de 2 séculos: Lixar a nação).
Para perceberem, vou, rapidamente, contextualizar-vos...
O Palácio de Sintra, o palácio-alvo deste episódio, foi construído no início da Dinastia de Avis, a dinastia responsável pelos Grandes Descobrimentos, o Império Português, que ia desde o Brasil até à China, podendo fazer um desviozinho para um passeio até Timor, e o auge da nossa Nação. Nunca fomos tão poderosos como nessa altura...
Eu sei, tou-vos a dar uma lição de história, que secante...Mas, por favor, dêem-me só mais umas linhas para perceberem a relevância...
Que toda a época de Avis (que durou quase 2 séculos) parece ser o desenho original donde se copiou, com papel vegetal, a época que se vive desde 1986 até hoje:
D.João I entra no poder numa altura em que Portugal vive em plena miséria e fome, sendo considerado como o mais pobre de toda a Europa (faz-vos lembrar alguma coisa?). Engenhoso e temerário, D. João I, acompanhado pelo seu inteligente e sonhador filho Infante D.Henrique, planeia a solução para tirar Portugal, embarcando numa demanda pelo caminho marítimo para Índia, descobrindo, pelo caminho, toda a Costa Africana e, posteriormente, o Brasil, a Costa Sul da Ásia e Timor. No entanto, somente se atingiu esse objectivo 65 anos e 4 reis depois da morte de D. João I. Entretanto, esses 4 reis precedentes a D.João I não olharam as meias medidas nas despesas e, vendo um grande fluxo de riquezas para dentro de Portugal, esbanjaram dinheiro onde não era necessário e o próprio povo se habituaria à boa vida (excepto os marinheiros). Perto do final do reino de D. Manuel I(criador do estilo arquitectónico Manuelino e o Rei que presenciou a descoberta do caminho marítimo para Índia), Portugal estava perto da falência. Apesar de dominar-mos o comércio das especiarias e do ouro, D.Manuel I, apesar de muitos feitos, era um péssimo negociador como também o seu sucessor e nações como Inglaterra, Espanha e Holanda começavam-se a equiparar a nós, retirando-nos poder em vários mercados (Espanha domina o ouro das Américas, Holanda domina África, dominando o marfim e escravos e Inglaterra domina as Índias e suas especiarias). Portanto, D.Sebastião herda um reino falido cheio de pessoas prepotentes a gastarem o dinheiro que não têm. Para se juntar à moda, D. Sebastião tem a ideia de atacar Ceuta, tentando reconstituir o feito do Infante D. Henrique. Bem, saiu-lhe o tiro pela culatra e desapareceu num nevoeiro. Eu pessoalmente suspeito é que ele aproveitou e pisgou-se à Durão Barroso e foi viver com um harém de gajas no meio de Marrocos. Mas pronto, o seu desaparecimento lança Portugal numa crise política desastrosa, em que perdemos a nossa independância para os Espanhóis...
E agora vocês (os que ainda ão se cansaram) pensam: "Porra, tou farto de história, onde queres chegar?!"
Vou agora fazer a associação para aqueles que ainda não atingiram:
- Tal como D.João I, Mário Soares "herda" um país devastado pelo FMI devido à sua falência. Decide que a adesão à CE seria uma boa solução, pois traria investidores estrangeiros e fundos comunitários;
- A solução parece funcionar, pois Portugal e os portugueses começam a ver-se com mais dinheiro e a respirar melhor. Tal e qual como aconteceu com o aparecimento do negócio de marfim, escravos, ouro e especiarias;
- No entanto, à medida que cada vez mais dinheiro aparece, mais é gasto. Desde Cavaco Silva até Sócrates, os governos queimam dinheiro em obras públicas desnecessárias, aumento de salários de forma exponencial, aumento de benefícios fiscais, subsídios para a coça da micose, etc. O mesmo aconteceu com os Reis de Avis, sendo construídos monumentos como Mosteiro dos Jerónimos e reformas em tudo e mais alguma coisa;
- A quem chama Sócrates de ditador e acusa-o de censura na imprensa vai gostar desta: Foi D. Manuel I que autorizou a Inquisição em Portugal e D.João III (seu filho) permite a sua entrada de forma bruta, fazendo fugir os mercadores judeus e muçulmanos, obrigando Portugal a executar empréstimos estrangeiros, isto é, criação duma dívida externa;
- As dívidas vão aumentado nos governos de Durão Barroso e Sócrates (não vamos contar com o Santana Lopes), onde vamos gastando dinheiro que já não temos, aumentando ainda mais as nossas dívidas. Como já disse, D. João III, devido a uma crença religiosa forte, permite a instauração da Inquisição, fazendo fugir os nosso principais mercadores, os judeus e muçulmanos, obrigando Portugal a fazer empréstimos estrangeiros e a importar produtos que dantes dominava. Um bocado como a Madeira começar a importar bananas. Desta forma, Portugal entra em estagnação e, mais tarde, em declínio;
- Para terminar, Sócrates apresenta a demissão, demonstrando o quão desastrosa está o mundo político português e pede ajuda ao FMI, que, como os espanhóis após o desaparecimento de D. Sebastião com um harém de gajas boas (ele tinha 16 anos!!! queria lá ser rei...), vai-nos escravizar...
Com isto, termino com 2 pensamentos:
- Não aprendemos com os erros dos Reis de Avis. Será que vamos aprender com os erros de Sócrates, Cavaco e companhia? Duvido...
- Muitos dizem: "Que venha um Salazar!". Eu prefiro que aparecesse João de Avis, partisse esta porcaria toda e cria-se uma solução para este país. Podemos sempre conquistar o Brasil e a Índia outra vez (estou a brincar).
Espero que tenham gostado. Se não, já sabem que teclas pressionar...
Saudações,
Nando Pina
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