segunda-feira, 25 de abril de 2011

O preço da liberdade...

Faz hoje 37 anos que um Estado português ditador foi "destronado", pondo fim a um regime fascista que durou 41 anos. O principal protagonista desse período da História Portuguesa foi António Oliveira Salazar, um professor catedrático de Economia Política e Finanças e grande crítico da doutrina anticlericalística dos variadíssimos governos da 1ª República. Dos 41 anos de ditadura, 36 foram dele como Presidente do Conselho de Ministro, posição donde Salazar governava o país com punho firme.

Várias vezes na minha vida, e certamente também vocês, ouvi dos meus pais e avós relatos da vida desses tempos de censura literária, impossibilidade de expressão e polícia que torturava e matava pessoas contra o governo. Tempos negros (para o povo claro).

Apesar disso tudo, durante esses 41 anos de ditadura, nunca se viu instabilidade política (pudera, se um Portas ou um Coelho dissessem naquela altura o que dizem hoje, desapareceriam do mapa), buracos enormes no orçamento, divida externa, entre outros vários factores.

Graças a um grupo de revolucionários, desde 1974 que pudemos dizer e fazer o que queremos. Podemos criticar as acções do governos e dos seus intervenientes sem termos que ir para à prisão. No entanto, eu pergunto-me (e vejam somente a situação hipotética, não sou burro para achar que prisão é melhor): Será melhor termos ou não liberdade?

Desde o mais ignorante até ao mais intelectual, desde o mais pobre até ao mais rico, desde o Zé Povinho até ao Primeiro-Ministro, as pessoas não parecem querer perceber que com a liberdade vem responsabilidade. Não podemos simplesmente falar e fazer o que queremos por interesse egoísta. Não podemos criticar as acções de um governo porque faz parte do estereótipo ou porque queremos que aquele governo saia do poder para irmos para lá nós. Durante a ditadura continuávamos atrás do resto da Europa, mas:
  • A economia não só estava estável como conseguíamos ter algum crescimento (PIB crescia 5,66% entre 1959 e 1970);
  • As pessoas que queriam ganhar dinheiro tinham bom remédio: ou trabalhavam ou trabalhavam, não havia subsídios para tudo e mais alguma coisa;
  • Algo que nunca se verificou, nem antes nem depois, foi as exportações sobreporem-se às importações;
  • Conseguimos safar-mos de nos envolver-mos na maior e mais desastrosa guerra de sempre;
  • etc.
Graças aos grandes homens do MFA, o que aconteceu até hoje foi:
  • Fomos ajudados 2 vezes pelo FMI, pois nos 20 anos a seguir à revolução tivemos à beira da falência 2 vezes e vamos ter que ser ajudados uma terceira vez;
  • Temos uma oposição, seja ela PS, PSD, PCP, BE, que critica negativamente TUDO o que o governo faz, isto é, o governo nunca faz nada bem (não estou a dizer que o governo faz tudo de bom, mas também não faz tudo de mal), porque querem ser eles a estarem nessa posição de poder. Porquê? para poderem usar, corruptamente, essa posição;
  • Temos um povo mimado que, em tempos de crise, começa logo a barafustar quando o governo quer apertar o cinto, retirando alguns benefícios fiscais ou aumentando os impostos;
  • Este mesmo povo, que tanto quer ganhar dinheiro, sempre que pode safar-se do trabalho, aproveita logo e faz greves por tudo e por nada. Nos últimos tempos temos tido greves dos transportes todos os meses, às vezes 2 vezes num mês. Trabalhar para quê?
Isto faz-me chegar à conclusão que o português não pode ter liberdade, pois é pior que um puto de 5: querem a mão, damos o ombro e resmungam quando, mais tarde, descemos as fasquia para o cotovelo. O português não pode ter liberdade pois vai sempre abusar dela, aproveitando-se sempre que pode dos seus benefícios em detrimento do país e dos seus compatriotas.

É por isso que acho muito bem que venha aí o FMI, pois vai empregar o estilo de ditadura correcta, isto é, em vez censurar e condenar os que criticam, simplesmente ignora e faz ameaças passivas: "Querem protestar contra as nossas acções? DON'T FUCKING CARE!! Mas tenham cuidado, pois enquanto fazem greves, há muitas pessoas no desemprego a querer trabalhar."

Espero que tenham defrustrado. Se não, Ctrl+W...

Saudações,
Nando Pina

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